html PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Strict//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-strict.dtd"> Retalhos de Pensamentos e Sentimentos: agosto 2006

Retalhos de Pensamentos e Sentimentos

Um espaço de partilha, de reflexão sobre pensamentos e sentimentos que tem como finalidade o convite à catarse individual e eventualmente à evolução no sentido da construção de um brainstorming. Welcome All!

2006-08-31

O nosso/vosso dia

Hoje, dia 31 de Agosto, pelo segundo ano consecutivo é comemorado o Dia do Blog.

A todos os que me vão lendo, obrigada.
A todos os que vou lendo, obrigada.
De retalho em retalho ...

2006-08-27

Estar só: uma viagem acutilante

estado do que decai; queda; decaimento; declínio; enfraquecimento; abatimento.
(In Dicionário da Língua Portuguesa online, Texto Editores)
Anteriormente fiz referência ao mês de Agosto como aquele em que pouco acontece e no qual as pessoas se afastam em direcção a dias melhores, deixando esquecidos quem aqui permanece.
Apesar disso estou convicta de que não será só por ser Agosto.
Com grande parte dos amigos e familiares fora da cidade, nas últimas semanas obriguei-me a enfrentar situações que outrora ditariam a minha ascenção ao que considerava ser o meu verdadeiro estado de decadência relacional: a participação em eventos sociais sozinha, não por opção mas por falta de alternativa - isto demarca toda a diferença ...
Situações comuns, espaços triviais, motivações distintas.
Passei a ir algumas vezes comer fora, cansada do trabalho, para arejar e ver movimento à minha volta.
Dei algumas voltas pela cidade para a sentir.
Por último, ontem fui sozinha ao cinema.
Já antes de o ter feito, comentei com algumas pessoas que é ridículo destacarmos uma ida ao cinema sozinhos como um marco, visto se tratar de um espaço onde estamos sentados lado a lado e desejavelmente sempre em silêncio, daí a companhia não ser fundamental naqueles minutos mais ou menos longos. Contudo, alguém me disse: quando sais não tens com quem comentar. Pois, posso agora dizer que até a minha integração das temáticas do filme perecem isoladas.
A partilha, os questionamentos, a troca e os ganhos.
Não bastava ter ido sozinha como curiosamente foi-me atribuido um lugar de coxia na sala onde não existiam cadeiras à frente (ideal para esticar as pernas, diriam); a sala de dimensões reduzidas encontrava-se praticamente vazia.
É possível sempre mais do menos ...
Quando o filme terminou, senti-me bem e ainda melhor por não ter dito a ninguém o que tinha ido fazer. Naquele tempo, estive sozinha num espaço onde enfrentei um fantasma antigo. Mais tarde, uma familiar meu que tão bem me conhece e que neste momento se encontra no estrangeiro de férias telefonou-me e perguntou como tinha sido o meu dia. Contei-lhe sem dar demasiado ênfase. Habituada que está, não por falta de alternativa mas por opção, ficou satisfeita por mim mas rapidamente disse que isso era normal. Perante este comentário, senti a necessidade de lhe dizer: Sei que é perfeitamente normal mas já agora, fazias isso com a minha idade?
Silêncio como resposta.
Haverá idades ideais?
Agora sim, esbarrámos com o factor que me fez toda a diferença - a minha idade.
Nunca imaginei passar por estas situações tão nova mas também sei que não me vou privar das coisas que gosto.
Só mas determinada.
Nota: Fui ver Mozart and the Whale, tristemente traduzido para Loucos e Apaixonados, caso alguém tenha visto o filme convido a partilhar a opinião.
De retalho em retalho ...

Complementaridade

Ontem, comecei a reconstituir as duas partes do meu coração sem as quais eu perco o brilho ao acordar.
Hoje, tratei de consolidar as duas partes do meu coração sem as quais eu perco o brilho ao acordar.
Amanhã ...
De retalho em retalho ...

2006-08-24

Poor Pluto ...

Não, não me estou a referir ao cão do Mickey mas ao antigo nono planeta do sistema solar.


Plutão
(1930-2006)
"Pluto gets booted from planet club."
(cnn.com)
Afinal o tamanho também conta ...
De retalho em retalho ...

Beri

Há muito tempo que ninguém cozinhava para mim e, olhem que alguém ter o cuidado de fazer uma refeição completa para uma vegetariana é extremamente louvável.
Por entre uma beringela bem recheada e colorida e um strudel de frutos silvestres, partilhámos ideias, vivências, experiências e acontecimentos deliciosos das nossas tão distintas infâncias.
Não vimos o tempo passar, aliás nem nos levantámos da mesa.
Por oposição ao post anterior, confesso que fui mais lenta a comer porque falei, falei e falei. É raro estar na presença de alguém que se interessa pelo nosso trabalho e que nos coloca questões tão pertinentemente seleccionadas e estruturadas (tenho somente mais um outro aMigo que sabe abordar as questões do meu trabalho da forma que me leva a contar as coisas deste modo apaixonado e sentido, a única maneira pensável para mim).
A ti, agradeço-te e deixo-te esta imagem de um baloiço em forma de beringela, como alusão a vários aspectos por nós abordados:
. fugir à norma, não é todos os dias que um baloiço adquire esta forma aparentemente bizarra
. a noção de flutuações mas com um centro de equilíbrio bem definido
. a infância, sempre a infância
. o lúdico
. o consolar
. as tentativas
. a procura
. a mudança
. a segurança, seja esta conferida pelo que for.
De retalho em retalho ...

2006-08-22

De tictactictac a tic tac tic tac

Queridos amigos e companheiros de brincadeiras na infância,
É com algum pudor que vou revelar uma das minhas últimas descobertas que poderá ter tido influência directa ou indirecta na vossa auto-estima e, consequentemente nas escolhas relacionais que fizemos nesses momentos lúdicos.
Ao fim destes anos todos, descobri que não sei contar ao ritmo dos segundos.
Não me recordo a que propósito mas foi-me pedido para simular a contagem dos segundos e para grande espanto meu, disseram que os "meus segundos" passam muito mais depressa. Confrontaram o "meu tempo" com o tempo cronológico e qual o meu espanto quando vi tamanha discrepância. Sou mesmo acelerada! Nas tarefas quotidianas já me tinha apercebido ou não fosse sempre a primeira a terminar de comer, a mais rápida a tomar banho e vestir, a tirar apontamentos, a que anda com pernas de girafa e quando dá por si repara que a sua companhia encontra-se a uns escassos metros.
Por tudo isto, quero lamentar e pedir-vos perdão pela minha falta de noção do tempo. Quantas vezes devem ter pensado que tinham sido lentos a esconderem-se quando brincámos às escondidas. Afinal, eu é que era rápida a contar até 100.
Fica desde já combinado, para a próxima contarei até 168 de modo a vos tentar igualar.
De retalho em retalho ...

2006-08-21

Alteração de velhos hábitos ... aleluia!

Ontem quando me preparava para deitar, deparei-me com a notícia da queda de uma aeronave ao largo da Boca do Inferno (nome sugestivo ...), em Cascais.
Rapidamente lembrei-me do meu ex-melhor amigo (ou melhor ex-amigo?) de quem não sei nada desde fevereiro, por opção dele e, que está a fazer o curso de piloto e vive em Cascais. Fiz pesquisas mas não consegui obter informações mais elucidativas ... restou-me esperar com o máximo de serenidade.
Deitei-me acompanhada pela angústia e com um enorme receio de o perder. Parece estranho, este medo desmedido de o perder visto na prática já o ter perdido mas ele é tão evocado no meu dia-a-dia, seja através de histórias, de comentários ou de perguntas feitas pelos meus familiares sobre como ele estará, apesar de saberem que me bloqueou no msn e nem sequer me deu os parabéns (coisa que ele sabe que valorizo muito). Mas o que é isto comparado com tudo o que vivemos ...
Hoje quando cheguei a casa, corri para a internet em busca de novas e actualizadas informações (diário digital, correio da manhã, agência lusa, público, siconline, expresso, tvionline, tsf, rádio renascença e portugal diário) e maior o susto quando li que tinham falecido um instrutor de voo e o seu aluno ... fiquei sem saber o que fazer. Podia enviar email mas nem sei se ele está de férias; escrever no msn "por favor aparece só para saber que estás vivo", pouco lógico; optei por lhe dar um toque apesar de ser de um número identificado e que tão bem ele conhece (não tinha alternativa). Irrelevante comparativamente à minha preocupação e necessidade de saber dele, tudo acaba por ser maior do que qualquer amuo ou orgulho.
Ufa, ainda bem que alterou o velho hábito de manter o telemóvel sempre desligado. O toque foi dado (e estranhamente recebido, imagino).
Quanto às duas mortes, lamento e respeito a dor de todos os que os amam.
Nota: Quein, se leres isto fica justificado o surpreendente toque.
De retalho em retalho ...

2006-08-20

Onde é que isto irá parar?

Transpirar desilusão

e
Chorar solidão.
De retalho em retalho ...

Agosto, sempre exististe ...


Olho para trás e procuro os registo de que vivi, hora-a-hora, dia-a-dia, mês-a-mês, ano a ... Atenção: tenho que parar de imediato!
Com postura de detective domingueiro, sou levada a pressentir a existência de algo errado nesta sequência.
Terei de partir em busca de pistas ...




Sou levada a assumir que levei toda a minha vida sem conferir ao mês de Agosto, o estatuto de 8º mês do ano. Agosto, é na realidade um mês como os outros e até é dos grandotes com os seus plenos e longos 31 dias.


Porque será que não lhe atribuia o estatuto de mais um mês produtivo, onde há tempo para se fazer um pouco de tudo?


Fazendo alusão ao calendário escolar/académico que até há uns anos me regulou:
. Nos tempos de escola: tinhamos garantidos 2 meses e meio de férias (Julho, Agosto e até dia 14 de Setembro no máximo, não podia começar depois do dia 15 porque isso não implicaria pagar a mensalidade completa; mantenho esta mesma teoria!).

. Nos tempos de faculdade: não eram garantidos mas fiz por garantir os 3 meses e meio de férias (Julho, Agosto, Setembro e cerca de metade do mês de Outubro).

Singelo, Agosto manteve-se ensanduichado e perdido por entre os primeiros tempos que se deseja aproveitar ao máximo e, os últimos que restam no mínimo aproveitar. Agosto, seria no fundo uma garantia por si só pouco ou nada valorizada.

Agora, sinto-o como um mês no qual poucos trabalham e muitos fingem trabalhar, onde os doentes recuperam milagrosamente, a situação económica não é mencionada e os escândalos deste país são ignorados ou abafados pelo próprio sistema que garante as ditas férias judiciais. Contudo, é muito mais fácil estacionar em Lisboa.

Apesar de me socorrer do calendário, perco-me um pouco nesta integração do mês que descobri pois momentaneamente parece-me que estamos cada vez mais perto do Natal!

É Agosto!!!

De retalho em retalho ...

2006-08-17

Cercada

O tempo passa ...
O tempo e o tempo do tempo que não pára mas confere-me a sensação de que estou parada.

Parada, presa ...
Cercada por mais de mim e menos de nós.







Os nós que me prendem ...
O nós que desejo.

O desejo de libertação ...
Desejo a dois.

Dois, um dia ...
Dois, talvez um dia.

Dia - a - dia.

Nota: Fotografia tirada da varanda do meu quarto das férias.


De retalho em retalho ...

2006-08-16

A coragem significa um forte desejo de viver, sob a forma de disposição para morrer
Gilbert Chesterton
Na lucidez dos seus 90 anos, manteve o desejo de não ver celebrada nenhuma missa no seu funeral e de ser cremada.
Hoje nada disso se cumpriu ...
Custa e até revolta pensar que a família não respeitou o cumprimento dos seus últimos desejos.
De retalho em retalho ...

2006-08-15

Restrinções na vizinhança

Hoje vou ser parca em palavras, quero só vos deixar um conselho:
no vosso perfeito juízo procurem não viver nem no mesmo prédio de familires nem nos prédios nas imediações.
Morre o animal doméstico ... são vocês a terem que ser os primeiros a lá ir.
Morre a empregada doméstica ... são vocês a terem que ser os primeiros a lá ir.
Sempre que acontece alguma coisa, a restante família espera pela vossa intervenção e no final ainda é capaz de vos julgar ou até mesmo criticar.


De retalho em retalho ...

Não lutas por mim?

Não o percebo, sinceramente não o percebo.
Após alguns meses de pura reflexão, finalmente assumi o compromisso de exprimir os frutos de tantos pensamentos e contra-pensamentos.
Hoje ao jantar proporcionou-se o momento para revelar aquilo que julgaria ser o seu sonho para mim. Calma e friamente, contei-lhe que tinha andado a ponderar incursar numa outra vertente profissional, complementando desse modo duas áreas não exclusivas e sempre com vista a uma terceira. Verbalizei o meu desejo: tinha pensado nisso mas acabei por desistir porque não te suporto. Não me dás descanso, estás sempre presente nas diferentes esferas da minha vida e infelizmente não as sabes distinguir nem tão pouco as distanciar.
Foi-me difícil, não o posso negar. Na minha ingénua fantasia julgava que me ia dizer algo como: isso era tudo o que eu queria para ti, para nós. Prometo que irei fazer um esforço nesse sentido. Tudo o que vi e ouvi foi uma severa indiferença verbalizada sobre a forma de: então espero que ajudes a encontrar alguém para exercer a tua função.
Nem um esforço, nem um esboço de esforço. Nada.
Julgava que lhe ia dizer tudo o que sempre gostaria de ter ouvido mas acabei por ouvir tudo o que eu não gostaria de ouvir.
Perdi.
Perdeu-me.
De retalho em retalho ...

2006-08-14

Contacto sintónico

Integrava-me,
No silêncio descompassado
Com suspiros que ecoavam ritmadamente
Quando me procuraste
Enquanto me controlava para não te procurar.

Num jogo de cores,
Longe da outrora sedução
Com menor ansiedade
E igual incerteza
Não pensei
Não quis sentir
Mas tacteei todo o universo do viver.

Camuflada por um desejo inclassificável
Moldado pelo longínquo tempo
Agarrei-me ao presente,
Apesar de teres feito referências ao passado.

Meti-me contigo
Meteste-te comigo
Tocámo-nos pelo passado,
Sem perder de vista a base sólida
Que um afastamento deveria conferir.

Proferimos as mesmas frases
Num mesmo tempo.
Recordo em particular uma deliciosa que ingenuamente disseste:
Se calhar houve coisas em mim que não reparaste
Recordo o meu ágil e directo comentário:
Se calhar não houve tempo para reparar em tudo
Recordo o nosso simultâneo comentário:
Bem respondido

Por entre palavras e expressões,
Os meus retalhos sombrios
Fruto da dor da rejeição
Absorveram um resquício de luminosidade
Dessa luz branca que te envolvia
Nessa doce e adorável nuvem
Que em tempos vi e senti.

De retalho em retalho ...

2006-08-13

13 de Agosto de 1973

Tudo o que sou não é mais do que abismo

Tudo o que sou não é mais do que abismo
Em que uma vaga luz
Com que sei que sou eu, e nisto cismo,
Obscura me conduz.
Um intervalo entre não-ser e ser
Feito de eu ter lugar
Como o pó, que se vê o vento erguer,
Vive de ele o mostrar.

Fernando Pessoa
De retalho em retalho ...

Pouco provável

Há umas semanas, fui convidada para ir dar um passeio até ao Guincho com a finalidade de se estrear um carro acabadinho de sair do stand.
Ao que parece as dunas com muita da sua areia, resolveram aproximar-se da estrada construíndo montes e vales por onde com muito cuidado os carros passam por vezes um a um devido não só ao estreitamento da via de circulação mas também à falta de civismo no que toca ao estacionar. A determinada altura, senti que o carro estava em sofrimento tendo ele emitido um sinal como sintoma. Ultrapassados os múltiplos grãos de areia e já em solo bem firme, embora esburacado, resolvi na ocasião estrear o manual de instruções do carro para interpretar o símbolo, tendo me deparado com:
Perigo de gelo na estrada
É curioso referir que o aviso surgiu no painel de navegação a poucos milímetros do registo da temperatura:
26,5 Graus Celsius
Tão giro, tão moderno mas tão pouco perspicaz. Ainda a falar no carro.
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2006-08-12

Desesperança

Uma das coisas que gosto muito de fazer é, ao acordar, procurar ficar informada em relação às ocorrências do mundo e no nosso país. Faço-o com sede de informação e desejo de conhecimento.
Hoje deixo aqui uma pequena notícia mas cujo impacto produzido em mim evolui de forma inversamente proporcional. Poderia recorrer ao melhor do meu léxico mas este não seria tão genuinamente expressivo como o semblante que se apoderou de mim e que neste momento se encontra incrustado nos rasgos do meu ser.
Uma mulher vendeu a filha de cinco anos a um casal que não podia ter filhos por 21 rupias (35 cêntimos) no estado indiano de Bihar.
A mãe da criança, viúva, necessitaria do dinheiro para comer e deslocar-se a casa dos seus pais. (In CM, 06/08/12)
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Anoitecer - Parte II


Don't let the sun go down on me
Although I search myself, it's always someone else I see
I'd just allow a fragment of your life to wander free
But losing everything is like the sun going down on me
(Music by Elton John & George Michael / Lyrics by Bernie Taupin,1991)
Nota: fotografia tirada da varanda do quarto, no período de férias
De retalho em retalho ...

2006-08-11

Anoitecer - Parte I

Durante o meu período de férias, diariamente recebi um telefonema cujo conteúdo era sistemáticamente o mesmo:
Olha para a lua e fica feliz
Logo da primeira vez que ouvi tal comentário senti-o como uma afronta a todas as pessoas com quem contacto em contexto profissional. Se assim fosse ...
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2006-08-10

Decomposição

Tão pouco tempo ausente e no regresso deparo-me com cheiro a mofo.
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2006-08-05

Humor negro

Por entre dentes quando confrontada com a questão - "E tu, quando te casas?" - ela respondeu: "Mais depressa casa o meu pai pela quarta vez".
De retalho em retalho ...

2006-08-03

Plac plac plic rrruuuum parapapapapa

Já não suporto muito mais tempo o barulho ensurdecedor das obras que me acompanham nos meus "muitos espaços":
. no prédio onde moro há obras
. no prédio ao lado estão em obras
. no meu local de trabalho mantém-se o estado de obras
. hoje, excepcionalmente, houve obras em minha casa



Por mais que tente, não encontro nenhuma tonalidade melódica agradável nos martelos, nas betoneiras ou nos berbequins. Já nem falo nos estimulantes diálogos que tenho o previlégio de também ouvir por parte destes grandes produtores musicais.
De retalho em retalho ...

2006-08-02

Nacionalismo

Confesso que esboço sempre um sorriso quando vejo vários carros estacionados com matrícula espanhola no parque de estacionamento ou mesmo os visitantes espanhois que percorrem incansávelmente o interior do El Corte Inglés.
O que será que os move?
Ver como uma empresa espanhola domina o mercado português e/ou cumprir um "ritual" com sucesso garantido no acariciar/massajar do ego?
Seja o que for, tenho reparado que não costumam andar com sacos nas mãos.
De retalho em retalho ...

Oh menina,

De manhã bem cedo, quando fazia o meu percurso pedestre habitual, fui abordada por uma senhora de etnia cigana que sempre em andamento tentou me chamar à atenção da seguinte forma:
Sra: "Bom dia menina, quer ver o pijaminha?" (segurava na mão não mais do que dois pijamas verdes e na outra um saco de plástico com outros mais)
Eu: "Obrigada!" (sorri e mantive sempre o mesmo ritmo por si só apressado)
Sra: "Olhe que tem muita inveja sobre si. (voz trémula como se transmitisse desconforto e apreensão). Se quiser eu leio-lhe a sina." (voz confiante e amistosa)
Eu: "Obrigada!" (sorri e mantive sempre o mesmo ritmo por si só apressado)
Até chegar ao meu destino, fiquei a ruminar sobre as palavras que me haviam sido dirigidas. Num misto de curiosidade, nunca ninguém se tinha oferecido para me ler a sina e, de racionalidade não olhei mais para trás e deixei-nos seguir os nossos caminhos sem mais cruzar o olhar com a premissa de que aquele comentário só teria sido feito porque a própria natureza suscita curiosidade e interesse que era o procurado naquele momento.
Nos meus curtos caminhos pedestres matutinos tenho encontrado personagens deveras curiosas, anteriormente tinha me cruzado com um amolador que nesse dia não fez chover (lá se foi a fantasia infantil do poder desses homens que nunca sabemos onde os encontrar).
De retalho em retalho ...
nota: por mais que envelheça, sobretudo na área comercial, sou sempre recebida com o mesmo tipo de abordagem: "Bom dia menina!; O que a menina deseja?; A menina já foi atendida?".
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