2005-09-27
2005-09-21
Uma simples história de amor (Parte II)
A adorada Nuvenzinha, habituada a só querer contactar com texturas pertencentes à mesma gama de suavidade e tonalidade assustou-se e começou a sentir-se cada vez mais condensada. Tentou comunicar, sem sucesso, o seu mal-estar ao Migalhinha, sem conseguir nomear o que as texturas reveladas, em si suscitaram (no sentir e no pensar). Cada vez mais condensada, a Nuvenzinha decide que não quer partilhar mais a sua vida com o Migalha, deixando este verter lágrimas mais fortes do que uma tempestade e maiores do que um dilúvio. Quase que por magia a doce Primavera em que viviam, transformou-se num Inverno sombrio e tempestuoso (sem passar pelo Verão e Outono, gradação normal e desejável), tendo tomado conta dos dias do Migalha que contra tudo e contra todos procurava perceber os reais motivos da brusca separação. Migalha mergulhou na sua própria tristeza de lágrimas, respirava porque tinha que respirar, suspirava pelo passado que lhe tinha sido vedado e aspirava que os seus corações voltassem a se encontrar enquanto desejava que a vontade de ambos voltasse a cruzar-se num novo mundo – mundo esse mais fortalecido porque a dor faz crescer e pode se bem perspectivada e até mesmo constituir uma mais valia para o futuro.

Nota ao leitor: Da estimada Nuvenzinha, foi-nos impedido o acesso aos seus sentimentos e pensamentos pelo que incidiremos nos sentimentos do Migalha mas enquanto narrador, tenho a liberdade de pensar e de expressar a convicção de que te esta terá se deformado ou sentido a deformar e também terá, por certo, vivido emoções semelhantes e outras diferentes às que o Migalha nos transmitiu pelo seu olhar, a sua postura, o seu tom de voz, o seu movimento …
A sua forma física foi-se assemelhando, gradual e desastrosamente, à forma de um ponto de interrogação na qual o seu corpo mostrava sinais de cansaço sobretudo através do peso que sentia dentro de si; a sua cabeça cabisbaixa ilustrava a sua tristeza; a sua base de sustentação que até então se havia apresentado como coesa, sólida, agora parecia que deslizava num mundo novo, estranho e onde já se previa a hipótese da coexistência de sentimentos tão opostos mas tão inesperadamente próximos, expressos sob a forma de questões: como uma pessoa pode ser tão doce mas provocar tanta amargura? Ser tão luminosa mas provocar cegueira? Ser tão melódica mas transformar-se em desarmonia? Ser promotora de felicidade e transformar-se no motor de arranque para o caminho da tristeza? (porque através dos sentidos conhecemos melhor o outro…e damo-nos a conhecer…)
Migalha, agora sabe que terá que fazer um esforço para deixar de se figurar a um ponto de interrogação apesar de ser constantemente assombrado por uma infinidade de dúvidas circunscritas ao quotidiano e até mesmo com características existenciais. Também acredita que um dia irá compreender melhor não só o comportamento, da outrora sua Nuvenzinha, contextualizado na sua história de vida e inserido na díade. Não obstante todas as dúvidas, o Migalhinha nesse momento possuía duas grandes certezas: com Nuvenzinha foi feliz; apesar de tudo ainda amava muito a encantadora Nuvenzinha. Mas como dizem que “não há duas sem três”, ainda acreditava na força do amor, criado, alimentado vivenciado, fomentado por ambos e na dimensão de complementaridade que esse amor acarretava.
O Migalha foi crescendo, crescendo e crescendo sem nunca perder as características mais determinantes da sua personalidade mas também nunca chegou a ser um pão completo porque não era esse o futuro por si ambicionado.
Era uma vez um homem, chamado Migalha que de migalha aparentemente tem pouco. Esse homem, devido à sua extraordinária capacidade de memorização possui migalhas de histórias e de momentos passados; já experimentou sentir migalhas de sentimentos em e fora do contexto relacional. No fundo, hoje o Migalha é um ser ainda mais empático, preocupado com os outros porque sabe que o apoio é essencial sobretudo após o embate provocado pelos empurrões de/na vida que se forem bem geridos podem nos conduzir no sentido do crescimento (embora nos pareça impossível nos primeiros tempos).
Este homem, como poderão ter percebido pela intensa embora curta história de amor vivida com Nuvenzinha, nunca deixou de acreditar no amor mas como defesa do seu amor-próprio (a dita auto-estima) convenceu-se que jamais encontraria tal perfeição, deixando essa característica ser exclusivamente atribuída às flores – aos amores-perfeitos que decoram gelados frescos, coloridos e saborosos.
De Nuvenzinha pouco sabemos, consta-nos que também ela continuou a acreditar no amor.
De uma coisa estamos certos, Migalha amou muito Nuvenzinha e sentiu-se mesmo amado por esta … esta noção exacta do amor, transmite ao comum mortal a esperança da existência de grandes amores que evoluem ou involuem, ao sabor do vento que surge acompanhado pelo som da maresia e que se autorizado, através da autenticidade de ambos, poderá nos tocar e envolver de forma doce e suave como o amor verdadeiro da história que acabámos de conhecer.
Agradeço à Nuvenzinha e ao Migalha por terem contribuído como exemplo de que apesar de tudo … só por si amar é um prazer ….
Amar e ser amado é um com/co-prazer.
De retalho em retalho ...
16 de Junho de 2005
2005-09-20
Uma simples história de amor (Parte I)
No seu processo de crescimento, Migalha nunca dedicou muito tempo a sonhar porque procurou moldar o seu mundo de modo a que as certezas imperassem e consequentemente lhe proporcionassem a segurança por si necessária para crescer e se possível evoluir.
Um dia o Migalha conheceu uma Nuvenzinha, doce como um chupa-chupa multicolor, luminosa como só um sorriso correspondido sabe ser e com um coração tão grande como a imensidão do Céu.

Migalha e Nuvenzinha conheceram-se de forma tão pura, natural e intensa como o olhar trocado por uma mãe que observa o seu filho recém-nascido pela primeira vez mas que se sente como se já conhecesse cada gesto seu, cada som, cada olhar, cada pensamento, a sua forma de sentir e de viver … só faltava mesmo sentir e conhecer o toque e o cheiro mas isso era complementar a tudo o já era conhecido e amado.
Rapidamente, a complementaridade dominava a relação, bem como a mutualidade. Seria a Nuvenzinha um pouco de Migalhinha ou o Migalhinha um tanto de Nuvenzinha?
Juntos viveram cada momento de forma impar, com toda a veracidade do sentir e do pensar. Passearam, beijaram-se, olharam-se, sentiram-se, sorriram, deram as mãos, trocaram palavras carinhosas, ternas e que soavam a eternas … o Migalhinha sentia cada vez mais que afinal sempre existiam amores-perfeitos para além das flores! Todo esse cenário multicolor, colorido com todas as cores que existem mais aquelas que conseguimos imaginar se fecharmos os olhos com muita, muita força, e que foi num só mesmo dia comunicado e expresso por Nuvenzinha como muito presente e presentemente desejado fez com que o Migalhinha fosse naturalmente dando a conhecer um pouco mais de si.
De retalho em retalho ...
O poder do "Estar Com"
Com a finalidade de atenuar a dureza do seu auto-julgamento e de o confortar, chamei-o à atenção para a importância que o “estar junto de” se reveste; partindo do pressuposto de que a presença corresponde a um sistema multifactorial que se expande de forma vectorial.

E nunca nos perguntam se estamos tristes ou aflitos. Antes nos dizem:
"Chega-te a mim ... e deixa-te estar."
Eduardo Sá (2005)
2005-09-16
O amor como fonte de energia
Inundada em lágrimas, mergulhada em tristeza mas tendo como âncora a certeza do valor do que sinto por ti dou por mim a pensar que apesar de toda a desilusão sou ainda capaz de te amar...

De retalho em retalho ...
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