html PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Strict//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-strict.dtd"> Retalhos de Pensamentos e Sentimentos: junho 2006

Retalhos de Pensamentos e Sentimentos

Um espaço de partilha, de reflexão sobre pensamentos e sentimentos que tem como finalidade o convite à catarse individual e eventualmente à evolução no sentido da construção de um brainstorming. Welcome All!

2006-06-30

"E esta hein?"

Pressentir:
Sentir antecipadamente; ter o pressentimento de; pressagiar; suspeitar; desconfiar
(Dicionário Universal - Texto Editores).


Esta semana estive particularmente sensível aos meus pensamentos de tal forma que estou apta a destacar dois deles de modo a ilustrar que por vezes acontece:
4ª feira - quando ia a dobrar a esquina para entrar na minha rua, senti que iria encontrar alguém do meu trabalho no caminho até casa, apesar de estar a entrar no meu quarteirão. A meio do percurso vejo uma pessoa do trabalho a andar em sentido contrário. Cumprimento-a e penso: será que para a próxima poderei também "escolher" alguém bem mais interessante?
6ª feira - pouco tempo antes de sair de casa, reparei na única flor seca que tenho. Esta florzinha ainda se mantém especial porque me foi dada há alguns anos por um namorado, no dia de Natal, num gesto inesperado da parte dele. Confrontada com o passar dos anos pensei: Será que falta muito para receber uma flor?
Quando chego ao trabalho, sou presenteada com um pequeno arranjo floral.
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2006-06-27

Associações e lembranças

Ontem, pouco tempo após o inicio de uma renião, entrou na sala um senhor com ar sério e comprometido que tinha como função fazer a desbaratização de todo o piso. Vinha equipado com uma espécie de garrafa às costas; na extremidade superior encontrava-se algo com função semelhante à de uma mangeira por onde era extravasado o produto em causa. De imediato lembrei-me do equipamento dos Ghostbusters.
Quanto à reunião, esta não foi interrompida porque nos foi dito que não havia nenhum perigo para a saúde, só tivemos que proceder a uma pequena adaptação: continuámo-la com os pés no ar.
PS: Nunca vi nenhuma barata naquele edifício, o que me leva a acreditar que a prevenção corresponda a um método eficaz.
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2006-06-26

Festival da buzina

Pelo barulho festivo que se fez ouvir ontem nas principais artérias das várias cidades portuguesas, seria difícil pensar que se tratava da celebração do resultado da passagem da equipa da selecção nacional aos quartos de final. Confesso que também me seria impensável considerar que poderia ser o festejo da passagem aos meios, à final ou mesmo a conquista do troféu. Pela dimensão conquistada diria que a selecção portuguesa teria ganho o campeonato de futebol inter-galáctico (no mínimo)!
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2006-06-25

Com vontade de trincar

Duas histórias
1. Uma notícia
Para melhor conseguir expor a informação, vou repetir serenamente para mim: "Cada qual aplica o seu dinheiro da forma que entender." (nova pausa para repetir as vezes suficientes)
Vi nas informações a seguinte notícia (adaptada de ABC news & yahoo news):
Cher Storms Capitol Hill to Battle for Better Army Helmets
"Cher, who opposes the war in Iraq but supports the troops, says using her celebrity to promote effective helmets for U.S. soldiers is rewarding — and "the right thing to do."
Last week, she attended a hearing in Washington on whether to modify helmets for soldiers in Iraq. The entertainer has donated more than $130,000 to the group Operation Helmet, which pays about $100 to modify the inside of soldiers' helmets to make them better able to absorb shock from a bomb blast."
2. Uma acção
No outro dia, a caminho de casa parei na padaria porque sentia necessidade de uma pequena dose de um precursor de serotonina, leia-se algo com chocolate. Estava a ser atendida quando avistei na porta uma mãe com uma criança de colo e um menino com cerca de oito anos, família de etnia cigana. A mãe aproveitando o facto dos cafés na proximidade estarem apenhados de gente a assistirem a um jogo da selecção seguiu o seu caminho, deixando para trás o rapazinho que veio ao meu encontro com o objectivo de me vender pensos rápidos. Cumprimentei-o e perguntei para quê que queria o dinheiro, tendo me dito que era para comer. Na minha ingenuidade, fi-lo ver que estavamos no local ideal e que por isso poderia escolher o que quisesse. A sua expressão séria e carregada diluíu-se em admiração e, num movimento simultâneo de retracção e desafio, como se me quisesse testar, acabou também ele por procurar algo com chocolate. De imediato, entreguei-lhe um queque de chocolate, mal pegou no seu bolo deu uma grande dentada ainda dentro da padaria, partindo em busca da mãe.
Não esqueço aquela dentada ... não esqueço o prazer com que trincou um bolo só seu ... não esqueço a vontade ... não esqueço o olhar.
Agora imaginem estas duas situações, o menino e o conhecimento dessa notícia num espaço de trinta minutos. Revoltante?
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2006-06-24

Monstruosidade

É estranha esta dor que me delimita e que não consigo localizar.
Ontem à noite fui ver um familiar que foi internado esta semana e apesar de ter sido avisada para não me deixar impressionar, qualquer descrição que me fizessem ou que eu faça agora fica a anos de luz do que eu encontrei.
Como é possível uma pessoa chegar a tanto? Como é possível aguentar-se tanto? Como? Como?!
Tudo torna-se ainda mais difícil quando recordo as palavras que me disseram "está muito melhor do que quando cá chegou"; por pior que seja parece existir sempre um estado ainda pior e a pessoa aguenta, resiste sem saber muito bem como e possívelmente desconhecendo o porquê ...
Pequena nota:
Estranhamente esta semana contactei com o cheiro da morte, odor intenso e anestesiante e ontem senti que vi um esboço da morte.
PS: Depois de ter escrito este post, encontrei a seguinte citação:
"Não se tem razão quando se diz que o tempo cura tudo: de repente, as velhas dores tornam-se lancinantes e só morrem com o homem." (Ilya Ehrenburg)
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2006-06-23

Totalmente de acordo

"You changed my life and all my goals"
James Blunt - Goodbye my lover
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2006-06-22

Um encontro

Cansada após um dia de trabalho, ela dirige-se para o seu carro sentindo-se pronta para deixar de lado o conteúdo profissional. Por entre carros amontoados, árvores e pó que caracterizam o estacionamento, cruza-se com ele e, assumida-me dirige-lhe a palavra:
Ela: "Olá!"
Ele: "Até amanhã!"
Ela pensa: até amanhã, isso será uma promessa? e diz: "Tudo bem?" (recordando o dia em que o achou entristecido, no inicio da semana)
Ele: "Tudo bem, obrigado.", simultaneamente esboça o seu extraordinário sorriso
Ela, sorri e parte tranquila.
No caminho sentiu-se encadeada pelo esplêndido sorriso que se fez acompanhar por uns expressivos e doces olhos azuis; também teve a sensação de estar envolvida por grande serenidade apesar de estar ciente da reduzida probabilidade de se encontrarem no dia seguinte.
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2006-06-19

Situações caricatas

Nos últimos dias tenho soltado gargalhadas espontâneas no decurso de situações e/ou diálogos com capacidade suficiente para me fazerem rir só de os recordar. Vou tentar dar a conhecer alguns apesar de ter ciente de que relato a posteriori perde toda a eventual piada por se afastar das circunstâncias do momento.
Recordo quando estava acompanhada por uma amiga minha a assistir a algo verdadeiramente importante quando de repente ouço um click e vejo uma coisa muito pequena a voar à minha frente, indo passar mesmo entre duas pessoas que estavam a comunicar frente-a-frente. Percebi de imediato que ela estava a roear a colher de plástico do café mas as outras pessoas presentes, sentiram somente que algo tinha saltado e voado sem se aperceberam do que tinha sido. A partir daquela altura, foi um pouco complicado desviar-me da ideia do plástico a voar e da cara das pessoas intrigadas e "juntas ainda rimos internamente".
No sábado, uma amiga minha a residir no estrangeiro contou-me que tinha ido assistir ao jogo de Portugal num bar. Embora o jogo não me desperte o mínimo interesse, perguntei-lhe: em quem é que as pessoas estavam mais interessadas (poderia ter questionado: qual a equipa preferida? quem é que as pessoas queriam que ganhasse? - mas não, estruturei a frase do modo referido); ao que ela me responde: "na gay parade que passava mesmo ali ao lado". No mínimo hilariante ...
Há pouco, outra amiga minha contou-me que foi assistir a uma revista e que a certa altura reparou que um pequeno personagem era interpretado pelo meu porteiro. Não sei se ela viu bem mas a ideia de o ver no palco a fazer um papel cómico, faz-me rir mais do que a realidade (seja esta qual for!).
Já percebi que este é um daqueles post que consegue ter menos interesse do que todos os outros pertencentes a este blog mas o que querem: faz-me rir :)
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2006-06-16

Quem disse que o algodão não engana?

Tenho me dedicado a observar atentamente os caixotes de lixo de centros comerciais, grandes superfícies e locais de lazer. Deparei-me com vários tipos de ecopontos que se podiam categorizar em:
. duas divisões - reciclagem e orgânico -> a desvantagem é alguém ter posteriormente de separar o conteúdo para reciclagem;
. três divisões - amarelo, azul e verde -> onde colocamos o que nos suscita dúvidas, como o algodão ou o pauzinho do perna de pau ou do trintão super maxi?
. quatro divisões - amarelo, azul, verde e orgânico -> surge como o ideal mas também parece-me ser o menos frequente.


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Mi bemol I

Recordo com saudade as aulas de piano, em particular a minha falecida professora.
Não era raro me perguntar se eu gostava mais das escalas maiores ou menores, acrescentando de imediato que as pessoas gostavam das maiores por serem mais alegres. Desde essa altura, deveria ter uns sete ou oito anos, passei a responder que gostava das menores por sentir que estas também tinham que ser gostadas, ser ouvidas, admiradas e sentidas.
Hoje lembrei-me desta pequena história, na sequência de uma conversa que tive com uma querida amiga minha. Falávamos sobre a dificuldade que algumas pessoas revelam em lidar com a tristeza que contrasta com a minha facilidade em a abordar, bem como ao sofrimento e à dor.
Para mim é natural falar sobre sentimentos, faz parte do meu dia-a-dia; as pessoas não devem ter vergonha de nomear o que sentem, nem tão pouco de os viverem (leia-se, sentimentos).
Os sentimentos inserem-se num contexto relacional, podendo ser direccionados a: próprio, outro(s), objectos.
Por vezes, temos que fazer verdadeiros esforços para os aceitar, sendo para isso necessário traze-los ao seio de uma outra relação (a passagem do interior para o exterior e novamente para o interior, por si só já é contemplativa - a informação partilhada com a minha amiga fez esse mesmo percurso) para, mais nítidamente, os conseguirmos ver, sentir, definir, circunscrever e integrar.
Termino esta primeira parte citando um excerto tão sobejamente conhecido:
" (...) na alegria e na tristeza (...)"
A naturalidade com que estes dois sentimentos, situados nos extremos opostos do espectro, são evocados, nesse contexto em particular, poderá constituir a garantia de que ambos existem e que devem ser vividos com a certeza de que embora não co-existam nunca poderão se anular devido ao contexto (espaço, tempo, entidades envolvidas, etc), ao momento vivido pelo sujeito e às próprias características do sentimento em si (intensidade, conteúdo, forma, etc).
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Imagem: como não poderia deixar de ser, é o piano onde sempre toquei
PS: sinto (cá estão os sentimentos novamente!) que a forma como me expressei, toca a confusão mas justifico-me dizendo que num impulso saí da cama para vir escrever.

2006-06-13

A dúvida duvidada

Escorrego sobre a acentuada curvatura da dúvida, num movimento compacto e interminável.
O caminho que percorro, caracteriza-se por um tempo incerto e pela incessante fricção do corpo, consequente ao contacto com o passado e com o presente. Não deslizo como quando era pequena e me deixava resvalar nos escorregas de várias alturas; este escorregar provoca-me dor.
Na tentativa de encontrar a localização deste sofrimento, fecho-me em mim como se de uma concha tratasse, na ideia de que "a solução está em mim" ... embora em vão.
Eu sei que sem o exterior não sou ninguém; eu sei que os meus pensamentos estão embebidos no exterior; eu sei que os meus sentimentos estão mergulhados no exterior; eu sei.
Esforço-me para ser racionalmente emotiva ou emocionalmente racional. Será que me esforço? Nesta conjuntura e, decidida a pensar pensamentos, começo a imaginar as próprias sinapses a estruturarem-se de tal forma que parecem constituir um emaranhado de pontos de interrogação, que me fazem exclamar: o que pensar?
Num movimento ulterior e, já aberta ao exterior, poderia então exclamar: o que dizer?
Lamentavelmente não vislumbro nenhum elemento que me ajude a fantasiar o futuro. Se encontrasse esse referencial dentro ou fora de mim, poderia repensar o presente que seria já passado e revitalizaria-me, com um elixir onde seria predominante uma maior segurança para voltar a sentir, fosse o que fosse.
Disto sim, estou certa que tenho a certeza.
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2006-06-11

Mundial de Futebol + Feira do Livro = Satisfação

Desde muito pequena que me habituei a ir à feira do livro, sempre que possível num dia em que houvesse um jogo de futebol suficientemente importante para nos deixar circular livremente por entre livros, palavras e letras. Hoje, foi mais um desses dias. Vim para casa carregada de livros, sobretudo de carácter técnico e que me vão acompanhar neste longo processo de formação.

segurar -> tocar -> folhear -> cheirar -> sentir <-> imaginar -> pegar -> ler -> viver -> contar

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2006-06-10

Um ano a comunicar:
Sentimentos - amor, amizade, fraternidade, tristeza, alegria, angústia ...
Relações - desilusão, empatia, esperança, compreensão, disponibilidade, intensidade ...
Profissional - novidades, alegrias, desafios, afirmação, humildade, certezas, dúvidas ...


Um ano incógnita, a comunicar livremente
Como comunicar é partilhar
Obrigada a todos por me lerem
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2006-06-07

Inadaptação ou adaptabilidade?

Com a crescente taxa de obesidade, era importante que se adoptassem medidas no sentido de permitir o mesmo acesso aos cuidados de saúde por parte desta população, nomeadamente aos meios complementares de diagnóstico como a TAC e a Ressonância Magnética.

Pergunto se alguma vez pensaram no que se faz em Portugal quando um paciente ultrapassa as medidas destes aparelhos?

Desde já, gostaria que fossem participativos no sentido de proporem estratégias para esta questão em concreto. Proponho-me a responder quando for conveniente.


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2006-06-05

Impressões ou reflexões?

A todos os que perdi,


Embora não fale
Sinto


Apesar de não ver
Sinto

Ainda que não ouça
Sinto


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2006-06-04

Um, dois, três: som, som


Por estes dias, a cidade de Lisboa tem sido envolvida por sons e vibrações vindas do rock in rio, sobretudo quando esta já se encontra adormecida. Perante isto, coloco a seguinte questão:

- Serão os amplificadores Marshall capazes
de amplificar e espalhar tão condignamente
valores humanos tão necessários a esta sociedade?


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2006-06-03

Onde está a resposta?

Ontem fui surpreendida com a seguinte questão:
- "Queres ter uma relação estável para casar?"

Ao deparar-me com essa pergunta, ascendi a um estado de reflexão onde se cruzaram imagens múltiplas e variadas: as minhas anteriores relações, o casamento dos meus pais, os casamentos que tenho vindo a aceder e que evoquei no post anterior, etc.

Contudo, rapidamente respondi (sem responder?):
- A estabilidade com o tempo tende para a adaptação e não para a qualidade.

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Casa mente

Nos últimos tempos tenho dedicado especial atenção à temática da evolução da relação de casal na estrutura do casamento. Essa análise e consequente avaliação permitiu o acesso a uma conjuntura simultâneamente tão própria e comum, capaz de subverter os propósitos da união, possível de ser apresentada da seguinte forma:
. tempo relacional como aniquilador do tempo ainda indispensável para ouvir as necessidades, preocupações e desejos do outro
. sobrecarga dos filhos
. tempo dedicado às tarefas domésticas
. ausência (prolongada) de relações sexuais e de momentos de intimidade
. esforço sob-humano na gestão e conciliação dos horários
. precariadade de empregos, instabilidade profissional
. própria involução do ser humano, com tudo o que isso implica
Tudo isto, pode contribuir para desbotar o eu na relação, diluindo o seu interior que outrora foi o chamariz para a união. O elemento de casal passa a viver para a estrutura familiar: o outro, os filhos e a casa, deixando de lado a sua fascinante essência que seria uma mais valia para consolidar essa estrutura.
Perdem-se ... perde-se ... num tempo sem retorno.
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