Monstruosidade
É estranha esta dor que me delimita e que não consigo localizar.
Ontem à noite fui ver um familiar que foi internado esta semana e apesar de ter sido avisada para não me deixar impressionar, qualquer descrição que me fizessem ou que eu faça agora fica a anos de luz do que eu encontrei.
Como é possível uma pessoa chegar a tanto? Como é possível aguentar-se tanto? Como? Como?!
Tudo torna-se ainda mais difícil quando recordo as palavras que me disseram "está muito melhor do que quando cá chegou"; por pior que seja parece existir sempre um estado ainda pior e a pessoa aguenta, resiste sem saber muito bem como e possívelmente desconhecendo o porquê ...
Pequena nota:
Estranhamente esta semana contactei com o cheiro da morte, odor intenso e anestesiante e ontem senti que vi um esboço da morte.
PS: Depois de ter escrito este post, encontrei a seguinte citação:
"Não se tem razão quando se diz que o tempo cura tudo: de repente, as velhas dores tornam-se lancinantes e só morrem com o homem." (Ilya Ehrenburg)
De retalho em retalho ...

1 Comments:
At 5:19 p.m.,
Broken M said…
O limite da sobrevivência é incrivelmente extraordinário.
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