html PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Strict//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-strict.dtd"> Retalhos de Pensamentos e Sentimentos: junho 2005

Retalhos de Pensamentos e Sentimentos

Um espaço de partilha, de reflexão sobre pensamentos e sentimentos que tem como finalidade o convite à catarse individual e eventualmente à evolução no sentido da construção de um brainstorming. Welcome All!

2005-06-13

Incoerência total ou reconhecimento da incapacidade?

No dia 1 de Junho é celebrado o dia Mundial da Criança, no qual por tradição é evocada a lei aprovada pelas Nações Unidades em 1989 que recebeu a designação de Convenção sobre os Direitos da Criança, composta por 54 artigos.

No dia 12 de Junho é celebrado o dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil.


Se lermos atentamente alguns dos direitos da criança que encontramos no site da UNICEF, http://www.unicef.pt/docs/pdf_publicacoes/desbobravel_conhece_teus_direitos.pdf, verificamos que o artigo 32 diz, passo a citar “tens direito contra a exploração económica, ou seja, não deves trabalhar em condições ou locais que ponham em risco a tua saúde ou a tua educação. A lei portuguesa diz que nenhuma criança com menos de 16 anos deve estar empregada.”

Interrogo-me (mesmo sabendo à priori a resposta, porque só levantando questões e debatendo-as é que se consegue uma melhor abordagem dos assuntos) se efectivamente os direitos são respeitados e as respectivas leis aplicadas?
Só no nosso país, um estudo denominado por «Trabalho Infantil em Portugal», realizado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) em 2001, apontava uma percentagem de 4,1% das crianças em idades escolar a trabalhar numa actividade económica, o que equivale a mais de 48 mil crianças.

É necessária a criação de um dia suplementar para chamar a atenção de uma realidade ainda bem presente como se nos quisessem dizer no dia 1 de Junho “o melhor do mundo são as crianças” e no dia 12 do mesmo mês passar a seguinte mensagem: “mas não estamos a respeitar na totalidade os seus direitos”, a meu ver este dia reflecte a perfeita realidade mundial e o assumir desta.

A tomada de conhecimento da existência do dia de ontem incomodou-me bastante, mal li a notícia fiquei o dia todo a remoer sobre a existência da celebração dos dois dias temporalmente pouco espaçados.
Será que o dia 1 de Junho é para as crianças que têm a oportunidade de ser criança e crescer no universo infantil sempre com supervisão de um adulto cuidador enquanto que o dia 12 de Junho é para as desgraçadas, desprovidas de oportunidade de se sentirem e serem reconhecidas como realmente crianças?
Coloco ainda outra questão, os adultos ao criarem o dia do combate estão efectivamente a reconhecer a pouca eficácia do cumprimento das leis por eles próprios homologadas ou a tentar demonstrar falsa preocupação visto esta já estar contemplada nos próprios direitos?
Se a tendência corresponder à segunda hipótese ... lamento imenso pertencer a este grupo etário.

De retalho em retalho …

2005-06-12

Como se apagou a luz?

Na escuridão da noite, sem a tua companhia acendo a vela que me ofereceste, na altura estupidamente não valorizei correctamente as palavras que me disseste enquanto eu entusiasticamente abria o embrulho: “é para quando te sentires só”; pouco tempo depois de forma rompante e surpreendente fiquei sozinha mas apoiada pela vela. Seria um prenúncio?

A vela ilumina a escuridão em que me deixaste e aquece o coração palpitante que também restou …. apesar de tudo …
Por uns minutos centro-me na forma e no movimento da chama que me recorda em tudo a nossa relação, a sombra por si produzida faz pensar numa estrela.
A chama é forte comparativamente ao tamanho da vela (analogia à duração da relação), por vezes torna-se mais intensa como os momentos profundos em que ascendíamos ao mundo só nosso onde predominava o mútuo apoio, sorrisos, abraços, ternura, compreensão, aceitação; no fundo complementaridade como é desejável numa relação saudável e com potencial de evolução. Contudo, quando suspiro, torna-se menos intensa, mas igualmente capaz de aquecer e iluminar o caminho que terei que seguir, embora com muito mais dificuldade, assente no vazio enorme em que me deixaste.

A desmedida impotência corresponde a outro dos sentimentos fortemente consolidado … o que nos aconteceu? Esta é a questão que jamais me tem abandonado, nem mesmo
nas noites frequentes de insónia mas preocupa-me igualmente o que concerne ao tu e ao eu no mundo de todos porque há retalhos que não foram por ti esclarecidos nem mesmo evocados.

Dar tempo ao tempo – esta seria a opção que numa sondagem de rua resultaria na maior percentagem de resposta. Contudo, custa-me ficar a olhar para a vela que com o tempo torna-se mais pequena, consome mais oxigénio e futuramente deixará de cumprir a sua função – iluminar a escuridão em que me encontro.

Junto de ti, senti-nos como a sombra em forma de estrela; juntos éramos capazes de iluminar o que nos rodeava. Confesso que nunca imaginei ser possível mas se me lesses irias concordar porque víamos os olhares com consequentes esboços de sorrisos das pessoas anónimas com as quais nos fomos cruzando.

Longe de ti … sinto-me como a vela, a desgastar-me e a consumir veementemente a energia que vou catalizando através das pequenas coisas que envolvem o meu dia-a-dia …

De retalho em retalho …

2005-06-11

Momento para pensar os sentimentos

Hoje pensei em propor um exercício prático que inicialmente pode parecer primário mas que produz resultados interessantes e simultaneamente promove uma análise e síntese emocional circunscrita e básica, como tal poderá ser repetida em diversas fases da vida.

Objectivos da Tarefa:
. promover um momento exclusivo para o próprio – hoje em dia temos cada vez menos tempo para nós;
. avaliar a situação presente (balanço entre os sentimentos de valência mais positiva ou negativa);
. elaborar ou começar a estruturar um projecto que permita que se torne mais frequente a existência de sentimentos que proporcionem prazer, aceitação e bem-estar;
. colorir mais (ou ainda mais) o mundo interno.


Processo:
1º pensar nos sentimentos que frequentemente o têm dominado
2º tentar responder às seguintes questões, para cada sentimento:
Quando é que o sinto?
Onde é que habitualmente me encontro?
Quem me faz sentir isso?
Quem me pode ajudar a não sentir isso?


Depois de ultrapassado todo o processo, podem se verificar várias situações:
. sentir-se bem consigo, com os outros e com a vida :)
. resignação com ou sem bloqueio para a acção futura no sentido de tentar tornar os seus momentos mais enriquecedores fazendo coisas que lhe proporcionem prazer
. ter uma maior consciência do sentir e do sentido do sentir

Espero ter contribuído para um exclusivo (bom) momento, seja qual for o balanço final.

PS: Este exercício foi adaptado e inspirado a partir de uma prova já existente


De retalho em retalho …

2005-06-10

O verdadeiro sentido e sentir da comunicação

Inseridos num contexto onde impera a comunicação através dos mais variados e diversificados meios electrónicos, assiste-se frequentemente à invasão do sentimento de se sentir só. A solidão à qual me refiro, não diz respeito ao isolamento propositado mas sim ao condicionado; isto é, ao sentir-se só junto dos outros.
Mas afinal que laços nos unem? Será que partilhamos única e exclusivamente o mesmo espaço físico? Onde se encontra a barreira que delimita o eu do tu e que abre à descoberta do conhecimento mútuo e próprio? Será que existe menos tempo,disponibilidade,empatia ou interesse em partilhar pensamentos, vivências, memórias, sentimentos e experiências?

A criação com consequente consolidação (assim o espero...) deste blog funda-se na necessidade de transmitir que comunicar vai mais além de avisar ou informar, incita à transmissão, propagação, partilha no seio da relação ou mais profundamente à partilha relacional.

Tudo me leva a crer que de retalho em retalho vamos construíndo/destruíndo convicções e dúvidas, procurando respostas e elaborando questões. No fundo, somos levados a pensar e a sentir o que nos é comunicado, estando particularmente atentos à forma e modo como esta é veículada.

Quem tem receio de se sentir abalado ou sinta a sua singularidade e individualidade posta em causa, sugiro que faça um esforço antes de recorrer ao evitamento e fuga porque há retalhos que podem necessitar de ser elaborados e uma vez encerrado esse processo há potencialidades para se tornarem em retalhos estruturados e estruturantes.
De retalho em retalho ....
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