Não sei bem o que se passa, nem tão pouco como justificar este processo mas é assustadoramente real: estou cada vez mais parecida com o meu pai!
Sendo sensível ao contacto humano, apercebi-me que algo de fora do normal se tem vindo a consolidar no último ano. Na grande maioria das vezes em que me encontro numa loja, seja de bairro ou situada numa grande superfície, num supermercado, numa livraria, num restaurante, numa loja, na farmácia, na fila para comprar castanhas num vendedor de rua, num parque de estacionamento, sou frequentemente abordada por outros consumidores ou então pelo próprio vendedor no sentido de desabafarem problemas da vida pessoal, relatarem situações que ocorreram naquele mesmo espaço, darem conta das actividades desse mesmo dia, pedirem a opinião sobre o que comprar, etc.
Até aquele momento o único elemento que nos era identificável à priori correspondia à partilha do mesmo espaço, ao gosto por aquele serviço e no máximo dos máximos à procura do mesmo bem mas rapidamente acedo sem assumir um movimento activo, a rasgos de dimensões mais profundas daquela pessoa.
Estou perfeitamente ciente de que o que lhes posso dar é no fundo o que procuram, alguém que as ouça, que as ajude a passar aquele tempo da forma mais agradável possível e, que de quando em quando por entre uma postura empática e sorrisos contentores, solta expressões como: pois, é complicado, de facto; pelo que me está a contar, seria benéfico ter mais cuidado; isso é bastante importante; eu escolheria aquele porque lhe realça a cor dos olhos; prazer em conhece-la/o; de nada.
Do ponto de vista pessoal, não faço qualquer espécie de sacrifício por ouvir as pessoas mas sempre critiquei o meu pai quando saía com ele porque demorávamos muito mais tempo do que era necessário visto ele meter conversa com todas as pessoas e agora quando saio sozinha acontecemente-me o oposto. Embora na prática o cerne corresponda ao mesmo, a comunicação fogaz, as perspectivas são paralelas: enquanto que eu não procuro mas no entanto recebo conteúdos mais profundos que são sempre que possível devolvidos da melhor forma; o meu pai, começa por dar para depois receber conteúdos do outro, tendo por base uma simpatia extrema envolta num comportamento mais activo.
No fundo, a minha passividade e a sua pró-actividade conduzem a trocas circunstanciais, mais ou menos profundas que nos fazem pensar e que consomem o seu tempo.
PS:
A escolha do título deveu-se ao facto de ter estado muito envolvida no processo de desentupimento do cano do lavatório que me permitiu dar conta que a água jorrava com mais força por entre uns pequenos buracos localizados na parte inferior da torneira e isso fez-me pensar nas trocas, nas forças, nos elos, nas ligações, na comunicação, nos circuitos e na partilha.
De retalho em retalho ...