html PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Strict//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-strict.dtd"> Retalhos de Pensamentos e Sentimentos: dezembro 2006

Retalhos de Pensamentos e Sentimentos

Um espaço de partilha, de reflexão sobre pensamentos e sentimentos que tem como finalidade o convite à catarse individual e eventualmente à evolução no sentido da construção de um brainstorming. Welcome All!

2006-12-27

De retalho em retalho ...



Em tempo de crise, Portugal não olhou a gastos no Natal. Na semana que antecedeu a quadra foram movimentados mais de 194 milhões de euros por dia entre levantamentos e compras pagas com cartões de débito.
Um recorde absoluto de consumo natalício reforçado pelos perto de quatro mil milhões de euros (cerca de 800 milhões de contos) gastos até ao dia 25 de Dezembro.
In Correio da Manhã, 27 Dez 2006



Uma sondagem realizada pela Marktest revela que, provavelmente devido à crise, a maioria dos portugueses tenciona fazer a Passagem do Ano em casa.
De acordo com o estudo realizado pelo Fonebus da Marktest, 63% dos inquiridos residentes em Portugal Continental com 18 ou mais anos pretendem entrar em 2007 em sua casa ou, quanto muito, na zona de residência habitual.
In Diário Digital, 20 Dez 2006





A noite da passagem de ano soará, nas televisões, ao som das 12 badaladas com sabor a Super Bock Abadia. Mais uma vez, a contagem decrescente para a entrada no novo ano fica a cargo da marca de cervejas da Unicer, que voltou a conquistar o espaço publicitário ultranobre dos canais generalistas nos últimos e primeiros segundos do ano.
In Correio da Manhã, 27 Dez 2006



Infelizmente será extremamente fácil prever qual será a notícia seguinte ...




Título: Associações, sequências, consequências, sucessões, concessões e correlações e sua previsibilidade



Nota: Num registo de hipotética omnipotência, de modo analógico e para contrariar as determinações subjacentes às sequências (também) patentes nos acontecimentos relatados nos excertos de notícias seleccionados, optei por configurar o post de trás para a frente ... tentei.

2006-12-25

No Natal ...

Fases da vida personificadas em ramos
Com Adornos de conquistas
E Luzes de ternura.






Desejo que se sintam presenteados com esta fotografia tirada por mim no Chiado no ano passado, na qual o brilho cumprirá a missão de vos transmitir flashes de esperança e os vultos a sensação de presenças amigas.

De retalho em retalho ...


2006-12-21

9 anos depois

Persiste a certeza da incerteza.


De retalho em retalho ...

2006-12-20

Recônditos digitais

Numa loja, a vendedora num movimento instantâneo de marketing e, após detalhada descrição das potencialidades proferiu o seguinte comentário: "esta é para toda a vida".
Por muito estranho que (me!) pareça fiquei deveras seduzida com a noção de perenidade associada ao objecto em causa (ilusões, descobertas, desilusões, buscas ... conquistas e inaptidões).
Quanto à sua aplicabilidade a outros contextos ... (nah!, sou eu a torcer o nariz com expressão de desconfiança).

De retalho em retalho ...

2006-12-08

Not so white ... not so wonderful ...

I'm dreaming of a white Christmas
Just like the ones I used to know
Where the treetops glisten,
and children listen
To hear sleigh bells in the snow

I'm dreaming of a white Christmas

With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all your Christmases be white

I'm dreaming of a white Christmas
With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all your Christmases be white
(White Christmas - Irving Berlin, 1942: ouvida na versão de Garth Brooks, 1992)


Era bem mais melodiosa

Quando vivíamos todos juntos.

... not like the ones I used to know.

De retalho em retalho ...

2006-12-04

Visões do mesmo

Num reino nada distante, limitado a norte pelo sofrimento e a sul pela desilusão, vivia uma menina que de tudo fazia para não acreditar em contos de fadas. Diz-se mesmo que por vezes vestia vestes escuras enquanto manuseava uma já gasta vassoura …




A menina perdia-se muito no seu tempo perdido, pensando sobre tudo e sobre nada, como ela nos diria e, nessa agitada corrente de pensamentos sentia-se a mergulhar em poderosos sentimentos. As suas consistências eram de tal maneira estruturadas que influenciavam de forma quase imediata o seu estado de humor.

Assim, quando movida pela serenidade, deixava-se ficar no seu reino, desfrutando da estabilidade e seguranças arduamente conquistadas.
Contudo, presentemente, nem sempre os seus desejos se mantinham estabilizados…
Não raramente, na sequência de uma intensa inspiração e da perdedora luta contra a esperança incutida pelos contos de fadas, dirigia-se às suas duplas janelas que lhe permitiam espreitar o mundo lá fora mas de todas as vezes não vislumbrava mais do que exigências injustificadas, incompreensão incompreensível e a quase total ausência de reconhecimento do outro e dos seus feitos.

Quando movida pelo desejo, em sonhos engendrava planos audazes que lhe permitissem aceder a esse mundo exterior ao seu sobejamente já conhecido reino.
Nesse movimento de abertura ao exterior, por vezes sentia-se encadeada por reflexos do(s) não ser(es) e rapidamente regressava ao seu espaço, mergulhando no que entendia como sendo os seus próprios pensamentos …

Certo dia e após prolongada clausura, a menina decidiu adoptar uma nova forma de olhar e de se olhar. De postura tímida mas convicta avançou em direcção aos seus limites e quando sentiu que a fronteira do seu ser passado tinha sido milimétricamente ultrapassada, parou e observou atentamente todo o seu reino. Pela primeira vez, foi capaz de observar e de se observar com a pitada de distanciamento eficaz ao esboçar do mundo e consequentemente ao seu posicionamento neste.
A este novo olhar direccionado a partir do exterior para o interior, chamou-o de “na relação”, sentido que de fora tudo parecia mais belo e encantador, mais doce e colorido, mais sonhador e no entanto tudo se assemelhava como extremamente realista. Confusa e sem querer enganar ninguém, esforçou-se por conjugar estas novas visões do seu reino, de si e do mundo, tentado conciliar a representação e o modelo.


Num reino cada vez mais distante, limitado a norte pelo sofrimento e a sul pela desilusão, viveu uma menina que de tudo fez para não acreditar em contos de fadas até ao dia em que percebeu que melhor do que se preocupar com o idealismo recusado mas ingenuamente alimentado por si, seria viver integramente ao aceitar as aproximações e distanciamentos face ao mundo ideal que curiosamente sempre pautaram as suas realidades.




De retalho em retalho ...

2006-12-01

De perene a caduca



A propósito de um sonho ...

Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim

Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você.


Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!
(Vinicius de Moraes)
Fotografia: um canteiro algures em Madrid.

De retalho em retalho ...

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