Oh menina,
De manhã bem cedo, quando fazia o meu percurso pedestre habitual, fui abordada por uma senhora de etnia cigana que sempre em andamento tentou me chamar à atenção da seguinte forma:
Sra: "Bom dia menina, quer ver o pijaminha?" (segurava na mão não mais do que dois pijamas verdes e na outra um saco de plástico com outros mais)
Eu: "Obrigada!" (sorri e mantive sempre o mesmo ritmo por si só apressado)
Sra: "Olhe que tem muita inveja sobre si. (voz trémula como se transmitisse desconforto e apreensão). Se quiser eu leio-lhe a sina." (voz confiante e amistosa)
Eu: "Obrigada!" (sorri e mantive sempre o mesmo ritmo por si só apressado)
Até chegar ao meu destino, fiquei a ruminar sobre as palavras que me haviam sido dirigidas. Num misto de curiosidade, nunca ninguém se tinha oferecido para me ler a sina e, de racionalidade não olhei mais para trás e deixei-nos seguir os nossos caminhos sem mais cruzar o olhar com a premissa de que aquele comentário só teria sido feito porque a própria natureza suscita curiosidade e interesse que era o procurado naquele momento.
Nos meus curtos caminhos pedestres matutinos tenho encontrado personagens deveras curiosas, anteriormente tinha me cruzado com um amolador que nesse dia não fez chover (lá se foi a fantasia infantil do poder desses homens que nunca sabemos onde os encontrar).
De retalho em retalho ...
nota: por mais que envelheça, sobretudo na área comercial, sou sempre recebida com o mesmo tipo de abordagem: "Bom dia menina!; O que a menina deseja?; A menina já foi atendida?".

1 Comments:
At 11:01 a.m.,
Anónimo said…
A Menina esqueceu-se que já a trataram por Senhora, facto que a deixou muito pouco contente...
Aproveita bem...
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