html PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Strict//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-strict.dtd"> Retalhos de Pensamentos e Sentimentos: Estar só: uma viagem acutilante

Retalhos de Pensamentos e Sentimentos

Um espaço de partilha, de reflexão sobre pensamentos e sentimentos que tem como finalidade o convite à catarse individual e eventualmente à evolução no sentido da construção de um brainstorming. Welcome All!

2006-08-27

Estar só: uma viagem acutilante

estado do que decai; queda; decaimento; declínio; enfraquecimento; abatimento.
(In Dicionário da Língua Portuguesa online, Texto Editores)
Anteriormente fiz referência ao mês de Agosto como aquele em que pouco acontece e no qual as pessoas se afastam em direcção a dias melhores, deixando esquecidos quem aqui permanece.
Apesar disso estou convicta de que não será só por ser Agosto.
Com grande parte dos amigos e familiares fora da cidade, nas últimas semanas obriguei-me a enfrentar situações que outrora ditariam a minha ascenção ao que considerava ser o meu verdadeiro estado de decadência relacional: a participação em eventos sociais sozinha, não por opção mas por falta de alternativa - isto demarca toda a diferença ...
Situações comuns, espaços triviais, motivações distintas.
Passei a ir algumas vezes comer fora, cansada do trabalho, para arejar e ver movimento à minha volta.
Dei algumas voltas pela cidade para a sentir.
Por último, ontem fui sozinha ao cinema.
Já antes de o ter feito, comentei com algumas pessoas que é ridículo destacarmos uma ida ao cinema sozinhos como um marco, visto se tratar de um espaço onde estamos sentados lado a lado e desejavelmente sempre em silêncio, daí a companhia não ser fundamental naqueles minutos mais ou menos longos. Contudo, alguém me disse: quando sais não tens com quem comentar. Pois, posso agora dizer que até a minha integração das temáticas do filme perecem isoladas.
A partilha, os questionamentos, a troca e os ganhos.
Não bastava ter ido sozinha como curiosamente foi-me atribuido um lugar de coxia na sala onde não existiam cadeiras à frente (ideal para esticar as pernas, diriam); a sala de dimensões reduzidas encontrava-se praticamente vazia.
É possível sempre mais do menos ...
Quando o filme terminou, senti-me bem e ainda melhor por não ter dito a ninguém o que tinha ido fazer. Naquele tempo, estive sozinha num espaço onde enfrentei um fantasma antigo. Mais tarde, uma familiar meu que tão bem me conhece e que neste momento se encontra no estrangeiro de férias telefonou-me e perguntou como tinha sido o meu dia. Contei-lhe sem dar demasiado ênfase. Habituada que está, não por falta de alternativa mas por opção, ficou satisfeita por mim mas rapidamente disse que isso era normal. Perante este comentário, senti a necessidade de lhe dizer: Sei que é perfeitamente normal mas já agora, fazias isso com a minha idade?
Silêncio como resposta.
Haverá idades ideais?
Agora sim, esbarrámos com o factor que me fez toda a diferença - a minha idade.
Nunca imaginei passar por estas situações tão nova mas também sei que não me vou privar das coisas que gosto.
Só mas determinada.
Nota: Fui ver Mozart and the Whale, tristemente traduzido para Loucos e Apaixonados, caso alguém tenha visto o filme convido a partilhar a opinião.
De retalho em retalho ...

4 Comments:

  • At 11:28 p.m., Anonymous Anónimo said…

    Na verdade não vi o filme e não é por aí que vou comentar este teu texto que me soa tão familiar...

    Passei o fim-de-semana (quase) todo em casa e a dizer aos meus amigos que tinha decidido ficar em casa para descansar... Mentira, não tinha vontade, nem tão pouco cansaço, para ficar fechado em casa. A realidade é que não tinha mesmo com quem sair... nem sequer ir dar uma volta, ir ao café... e não é por falta de amigos, mas são poucos os que estão cá e os que estão... parecem tão atarefados nas suas vidas que não me apetece mendigar um pouco da sua companhia!

    Melhores dias virão :)

     
  • At 12:47 a.m., Blogger Retalhos said…

    Nuno,

    Obrigada pelo post e pelo email que o acompanhou. Ainda bem que a minha exposição, abre-me a situações tão semelhantes.
    Eles existem, sabemos onde estão até mas não é só nos piores momentos que são importantes. A amizade constroi-se diariamente.

     
  • At 11:54 a.m., Anonymous Anónimo said…

    Fico contente por saber que tens ocupado o teu tempo, de formas diferentes, as quais te têm obrigado a ir à rua!

    De facto, as pessoas criam ideias de que devemos ir ao cinema, ao teatro, a um concerto, a um museu, ou mesmo ir jantar fora (apenas para referir alguns, por experiência própria) com companhia, mas por vezes, deixamos de fazer essas pequenas coisas por falta de companhia, o que não é bom.

    Lembro-me de me ter sentido mais independente, livre e adulta no dia em que consegui ultrapassar essas barreiras “psicológicas”. A minha última barreira psicológica foi um concerto de rock, numa praça de touros, com entradas esgotadas. Quando sai do concerto, estava eufórica e arrependida por ter perdido outros eventos do género, pelo simples facto de não ter conseguido companhia para os mesmos e de nunca me ter ocorrido que poderia ir vê-los, sozinha. Lembro-me também de chegar a casa e evidenciar o meu contentamento com o concerto e com o meu grande feito, o qual foi rapidamente desmistificado e banalizando, com o argumento de que já tinha idade para não fazer um big issue desses temas.

    Mas recordo-me sobretudo de um jantar em que estive sozinha, sabendo que a 600 km de distância celebravam o teu aniversário, ao qual eu não consegui estar…

     
  • At 1:00 a.m., Anonymous Anónimo said…

    Retalhos,

    Eu confesso que não sou capaz de ir sozinha ao cinema, a um concerto ou mesmo até à praia...
    Admiro quem o faz, honestamente. Revela segurança e confiança na pessoa que é, permitindo-se apreciar os pequenos prazeres da vida na sua própria companhia, sem se deixar cair em pensamentos/sentimentos de solidão ou isolamento.

    Para ser sincera... por vezes até evito sair à noite por não gostar de regressar a casa sozinha. Não por medo, mas por ser nessa hora da madrugada que mais ressinto não ter alguém ao meu lado que me dê um beijo de boa noite e me diga que espera por mim no dia seguinte... são esses os meus verdadeiros momentos de solidão.

    Ainda sobre o silêncio :)

    Sou muita dada a momentos de silêncio... gosto de poder optar por não falar (apesar de por vezes ser vista como uma pessoa indiferente ou insensível perante certas situações).
    É bom saber que existe quem me reconheça esse direito... quem se "dê ao trabalho" de pacientemente esperar que eu esteja preparada para falar. E, acima de tudo, que ainda se interesse pelo que tenho a dizer, mesmo após um período de ausência.

    Obrigado :)

     

Enviar um comentário

<< Home

Free Website Counter
Free Website Counter