O TEMPOral
Ora sentada numa cadeira áspera e rígida ora estendida numa cama aprazível e indolente, os dois apoios eleitos com a finalidade de promoverem a estimulação da sensibilidade corporal embora de forma extremada, observo uma ampulheta desgastada, ironicamente, pelo seu próprio tempo.
Fixamente, acompanho toda a trajectória percorrida por cada um dos grãos de areia. Têm como ponto de partida um espaço elevado que é partilhado por todos os seus semelhantes e como destino um espaço inferior que é ritmicamente preenchido por todos os diferentes de si.
Com um gesto engenhosos e melódico, estabeleço o início da corrida temporal (ou será a minha corrida contra o tempo?). Assisto, atentamente, ao movimento executado por cada um dos grãos, movimento esse que respeita a ordem de partida que lhes foi aleatoriamente conferida (curiosamente, sendo a vida o nosso tempo no espaço, esta deslocação não segue os fundamentos reguladores da fecundação, os quais conferem ao espermatozóide mais perspicaz e veloz a hipótese de conquista da área amiga). O espaço outrora ermo, vai se tornando progressivamente mais preenchido. Aí, os grãos, anteriormente separados segundo o cumprimento da sua função, voltam a se encontrar, assumindo novas posições no espaço e posteriormente no tempo.
Fixamente, acompanho toda a trajectória percorrida por cada um dos grãos de areia. Têm como ponto de partida um espaço elevado que é partilhado por todos os seus semelhantes e como destino um espaço inferior que é ritmicamente preenchido por todos os diferentes de si.
Com um gesto engenhosos e melódico, estabeleço o início da corrida temporal (ou será a minha corrida contra o tempo?). Assisto, atentamente, ao movimento executado por cada um dos grãos, movimento esse que respeita a ordem de partida que lhes foi aleatoriamente conferida (curiosamente, sendo a vida o nosso tempo no espaço, esta deslocação não segue os fundamentos reguladores da fecundação, os quais conferem ao espermatozóide mais perspicaz e veloz a hipótese de conquista da área amiga). O espaço outrora ermo, vai se tornando progressivamente mais preenchido. Aí, os grãos, anteriormente separados segundo o cumprimento da sua função, voltam a se encontrar, assumindo novas posições no espaço e posteriormente no tempo.
Escorregando na parábola do pensar …
Subitamente, sou catapultada para o espaço e tempo dos sentimentos ternos (amizade e amorosos). Reconheço ao meu coração um tempo próprio, consoante o espaço que lhe é instituído diariamente, sendo desse modo capaz de proceder a variados movimentos: encher; esvaziar; encher esvaziando-se; esvaziar enchendo-se; encher-se; esvaziar-se.
Desiludida, sinto que regressei novamente aos sentimentos por mim investidos em ti, no nosso espaço e tempo e no espaço só meu, no qual confirmo a sua desobediência às ditas lógicas temporais.
Partindo do pressuposto da inexistência de coincidências, terei que acreditar que todo o processo de reflexão surgiu como forma de me obrigar a obedecer, respeitar e até mesmo assumir a natureza do tempo que o meu sobejamente ferido coração incansavelmente me tem comunicado.
Assim, deixo-o dialogar consoante o seu ritmo e a sua necessidade.
De retalho em retalho …
Assim, deixo-o dialogar consoante o seu ritmo e a sua necessidade.
De retalho em retalho …

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