html PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Strict//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-strict.dtd"> Retalhos de Pensamentos e Sentimentos: >< - ><

Retalhos de Pensamentos e Sentimentos

Um espaço de partilha, de reflexão sobre pensamentos e sentimentos que tem como finalidade o convite à catarse individual e eventualmente à evolução no sentido da construção de um brainstorming. Welcome All!

2005-07-23

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Eu.
Quem, tu?
Sim, ele.
(sempre o mesmo mas visto por um outro diferente de si)
Nos últimos tempos tive a oportunidade, despercebida, de privar com pessoas que me espantaram pelos seus baixos níveis de ressonância afectiva. Nunca tinha contactado, directa ou indirectamente, com alguém que fosse oco do ponto de vista emocional no seio relacional ... maior o espanto quando percebi que existiam várias pessoas com esse padrão de relação.
Num estado de evidente frustração, confesso que me escasseiam as palavras quando penso que há quem se mantenha sempre numa matriz relacional de natureza superficial e que foge/refugia-se veementemente de um hipotético contacto mais profundo ... no fundo, ao tentar reflectir sobre as diferentes formas de aceder e viver os sentimentos, o meu raciocínio é subvertido a um estado também ele oco ...
(sentindo a necessidade de evocar e expressar a incompreensão dominante e sufocante, vou-me obrigar a seguir um registo de associação livre)
No aqui e agora, o adjectivo oco conduz-me à imagem de um búzio ... wrong way! (sussurra o inner me): sinto-me prisioneira de um raciocínio por si só contaminado, visto que o búzio funciona como uma caixa de música ao permitir a quase fiel reprodução do som do mar, daí que ao pensar num búzio perdido e desprezado (quem?o búzio ou eu?) pelo seu anterior dono, nem mesmo este se mantém oco ... nem eu, neste momento, me sinto mais tranquila ao "ouvir" o doce e suave som do mar ...
(neste momento sou assolada por uma crescente inquietação)
Será que essas pessoas correspondem à representação máxima de um funcionamento psicológico onde predomina a formação reactiva, enquanto mecanismo de defesa: o fazer, fazer, fazer, fazer, fazer (etc) - Ingenuamente, interrogo:
Onde fica o sentir? E o sentir fazendo? E o fazer sentindo?
Será uma opção consciente, circunscrever a vida a um único factor? E tudo o resto, ficará por ser vivido?
I am what I am and I am free - compreendo, aceito e respeito. As minhas reservas emergem quando esta forma de viver os sentimentos transcende o estatuto de privação exclusivamente individual para atingir e firmar-se no relacional, correndo-se o risco de se provocarem inequívocos, falhas comunicacionais, alheamento e desprezo.
Constituirá um evitamento a algo mais profundo e interno, vislumbrando um percurso de vida linear, se possível e, sobretudo pautado pelo apego ao concreto e objectivo?
Reconhecendo e assumindo o meu fracasso na construção de uma permissa capaz de me satizfazer, vou nos presentear com a possibilidade (testada e confirmada) de que:
Há mais para viver do que imaginamos viver
Há mais para sentir do que imaginamos sentir
Há mais para conhecer do que o que já conhecemos
Há mais para desejar do que o que já desejámos e desejamos
Há mais para amar do que o que já amámos e amamos
(há mais = não corresponde à noção de quantidade mas antes à diversidade, existe uma panóplia de ...)
Nota: A partilha tem o poder de exponenciar todo o sentir bem como o sentido do sentir
De retalho em retalho ...
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