html PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Strict//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-strict.dtd"> Retalhos de Pensamentos e Sentimentos: Simplesmente amar

Retalhos de Pensamentos e Sentimentos

Um espaço de partilha, de reflexão sobre pensamentos e sentimentos que tem como finalidade o convite à catarse individual e eventualmente à evolução no sentido da construção de um brainstorming. Welcome All!

2005-07-24

Simplesmente amar

Gosto de brincar com as palavras, de as tactear e de construir novos sentidos quando as conjugo ou associo. Tal e qual como num jogo deixei-me apanhar pelo teu amor sem nunca esconder o meu, posteriormente fomos nos unindo e consolidando.

A expressão amo-te até te conhecer não fazia parte do meu léxico; para mim era suficientemente expressiva a combinação entre a expressão verbal por intermédio do “adoro-te” com um sorriso.
Sem correr o risco de comparar as dimensões do amar nem os meus amores tão ternamente guardados e vividos, contigo sinto que ascendi a um patamar de viver o amor no qual intuitivamente construí um desejo de futuro, o qual nunca tinha sentido como possível. Ao integrar essa nova dimensão, consegui produzir melodicamente o “amo-te”, agora digno e fiel a todo o amor sentido, ou seja, pleno de veracidade e ternura.

Sim, amo
Sei que para ti é difícil compreender a dimensão dos meus sentimentos. Não sei se tens noção mas sempre me disseram que sou intensa em tudo o que faço e talvez a melhor prova disso é o facto de neste momento estar emocionada a confessar/reviver este meu grande amor, agora não mais correspondido.
Os meus olhos castanhos-escuros, com as suas partes mais claras às quais somente tu foste sensível (lembraste quando sentados na praia me pediste para retirar os óculos de sol para em seguida ficarmos, demoradamente, a admirar mutuamente os nossos olhos; viajámos por entre as íris, corremos caminhos curvilíneos, concêntricos, contentores e por entre uma enorme gama de castanhos que era tão de cada um …), vão sendo progressivamente salpicados por lágrimas que seguem o seu percurso até atingirem a boca, aí são envolvidas pelo sorriso produzido pelas doces recordações. Sinto que o meu sorriso perdeu o seu brilho, sorrir com e para quem se ama é tão esplendoroso!

Agora resta-me sorrir para, porque o com é passado


Juntos vivemos cada momento simultaneamente com grande entrega e empenho e, com toda a simplicidade e humildade. Nomear um momento, seria impossível e injusto porque tivemos oportunidade de viver o amor de diversas formas e contextos.

Momentos que contam a nossa breve mas intensa história


O desejo que me consumia era controlado pelo nosso tempo, sentíamos que antes de nos amarmos teríamos que ir nos amando e explorar cada parte nossa e do outro.

No mapa do amor, ficaram por conhecer e conquistar outros tantos espaços e por revisitar muitos outros


Ainda hoje, quando fecho os olhos consigo reproduzir, quase fielmente, os dois sentidos que me provocaram maior receio antes de nos conhecermos pessoalmente: sinto a tua pele suave como uma pétala de amor-perfeito e o teu cheiro penetrante e revigorante… nisto suspiro e solto uma lágrima já cansada.

Contigo, sentia-me mais eu; agora, sem ti sinto-me só eu


As pessoas diziam que éramos muito parecidos. Mal te conheci confidenciei a todos que tu eras eu mas no sexo masculino e com uma forma de viver e encarar a vida mais positiva. Inicialmente fui invadida pelo receio de estar a entrar num amor narcísico mas não, tu davas-me também tudo aquilo que eu não tenho e que só um homem pode dar.

Que complemento tão grande e tão pobre que me sinto agora


A tua partida gerou um enorme conflito entre os dois grandes eixos reguladores da vida, o sentir e o pensar. Contigo sentia, pensava, sentia a pensar e pensava a sentir mas agora como no meu ser tentam conviver sentimentos tão opostos como o amor e a zanga, a determinação e a incerteza, sou naturalmente estratificada e consequentemente mais racional.
Tão bom que seria não ter que lutar pela sobrevivência do meu amor-próprio


Por mais dolorosa que seja a tua ausência, maior é a dor provocada pela indiferença adoptada. Sabíamos à partida que ambos pecávamos pela sensibilidade, é impossível negar. A dor é ainda maior quando racionalmente me centro única e exclusivamente nas tuas últimas palavras; estranha e dolorosamente fui entregue a mim mesma devido às marcas do passado tão presente que são prova de que não sou indiferente ao mundo que me rodeia, o que me impele no sentido de o tentar socorrer. Não sendo protectora e/ou salvadora, entrego-me à coerência do meu ser, deixando-me se necessário ruir um pouco como forma de atenuar e suavizar o impacto esmagador em todos vós. É extremamente penoso pensar que sou duplamente prejudicada mas acho que não vou mudar a forma como vivo os sentimentos e como assumo as relações, é tudo tão natural, óbvio e genuíno.


Apesar de tudo,
“Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar”
Na minha concepção de amar, não só continuo a amar cada amor meu como a gostar de amar cada um desses amores
De retalho em retalho ...

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