Acabou?
Ainda hoje, percorridos alguns meses desde que subitamente deixámos de ser tudo o que sempre desejei e mais o que nunca achei ser possível (confidenciavas-me o mesmo, lembraste meu amor passado e presente?), fico a pensar em como tudo acabou.
Não! Confesso que não consigo descodificar o início do fim quanto mais equacionar o fim propriamente dito e com o qual tenho que conviver diariamente
Não sendo segura da minha segurança, fizeste-me acreditar que podia ser possível … que havia desejo de partilha mais extenso e profundo, não tão circunscrito. Nessa altura senti como se tivesses nos transladado para um terreno mais fértil, mais estratificado e onde poderíamos explorar, conquistar e consolidar um espaço só nosso. Já imaginava as raízes do nosso amor a penetrarem por entre grãos de futuro cada vez mais presentes.
Pouco tempo depois, vedaste o acesso ao mapa do futuro maravilhoso, às directrizes do doce presente, restando o fantástico passado. Como é que ousaste ser tão cruel? Provavelmente nem terás noção do impacto que a tua decisão teve em mim, na minha família e nos meus amigos.
Foram destruídos sonhos, criadas reservas, consolidadas desilusões e esboçadas esperanças.
Imersa em dúvidas, interrogo constantemente as minhas capacidades de visão. Estaria eu cega de tanto deslumbramento, encantamento, segurança e amor; terei ficado cega quando partiste e deixaste simultaneamente de me iluminar e de seres um receptáculo directo da minha luz e do meu amor ou terei ficado cega com o relâmpago que trouxe a tempestade ao meu coração? Procuro incansavelmente o foco, uma luz passada e presente que me leve à raiz, à essência, a uma explicação plausível para nos teres castigado tão fortemente (porque acredito que também te tenha custado, sim, tem que te ter custado).
Ainda acredito que tínhamos imenso potencial para evoluirmos enquanto casal e enquanto seres tão semelhantes e diferentes (diria) mas tão diferentes e semelhantes (digo). Porque fizeste questão em demonstrar o teu desejo, porque me deixaste acreditar quando não estavas convicto? Era preferível não teres demonstrado, sobretudo sob a forma como o fizeste, não só perante mim mas perante todos os que me têm acompanhado. Se não o tivesses feito, não haveria problema porque o presente era tão tão bom que nem me dava ao luxo de deslocar o pensamento para algo mais longínquo.
Pouco tempo depois, vedaste o acesso ao mapa do futuro maravilhoso, às directrizes do doce presente, restando o fantástico passado. Como é que ousaste ser tão cruel? Provavelmente nem terás noção do impacto que a tua decisão teve em mim, na minha família e nos meus amigos.
Foram destruídos sonhos, criadas reservas, consolidadas desilusões e esboçadas esperanças.
Imersa em dúvidas, interrogo constantemente as minhas capacidades de visão. Estaria eu cega de tanto deslumbramento, encantamento, segurança e amor; terei ficado cega quando partiste e deixaste simultaneamente de me iluminar e de seres um receptáculo directo da minha luz e do meu amor ou terei ficado cega com o relâmpago que trouxe a tempestade ao meu coração? Procuro incansavelmente o foco, uma luz passada e presente que me leve à raiz, à essência, a uma explicação plausível para nos teres castigado tão fortemente (porque acredito que também te tenha custado, sim, tem que te ter custado).
Ainda acredito que tínhamos imenso potencial para evoluirmos enquanto casal e enquanto seres tão semelhantes e diferentes (diria) mas tão diferentes e semelhantes (digo). Porque fizeste questão em demonstrar o teu desejo, porque me deixaste acreditar quando não estavas convicto? Era preferível não teres demonstrado, sobretudo sob a forma como o fizeste, não só perante mim mas perante todos os que me têm acompanhado. Se não o tivesses feito, não haveria problema porque o presente era tão tão bom que nem me dava ao luxo de deslocar o pensamento para algo mais longínquo.
Queria aproveitar tudo, dar tudo, receber tudo, mostrar tudo, contar tudo, ouvir tudo, viver tudo … contigo, no meu mundo, no teu mundo, no nosso mundo. Mas porquê?!
Foi tudo bom … menos o final (como é óbvio na medida em que não consigo por mais que tente, encontrar um contínuo). Se antes éramos muito presentes, com grande esforço vi-me obrigada a respeitar a tua decisão de não falarmos nem nos vermos. Ainda agora, para mim isto é inimaginável apesar de corresponder à realidade (as lacunas que se formaram no meu coração constituem a prova da aguçada dor provocada pela distância).
Tão perto e tão longe …
Sabes … não deves saber mas apesar de me sentir forte e imensamente rejeitada (não sabia o que era a rejeição até então) para mim seria normal continuar a ser tua amiga. Custa-me ainda mais ouvir as pessoas nomearem como características mais saliente, o seres um bom amigo. Será que estão a gozar comigo? Será que estás a gozar comigo? Será que temos conceitos diferentes de amizade? – não, não e não mas então?
Terei que pensar que não sabes lidar com um novo estatuto, o de ex que também foi grande amiga, confidente e cúmplice … para ti é tudo uma grande novidade, para mim nem tanto …
Mas porque foge quem rejeita? Porque me evitas quando quem levou o “chuto” fui eu? Porque nem para amiga sirvo agora? Quem sou eu para ti?
Sinto-me magoada, usada … tu que tens por hábito fazer reciclagem, deixaste-me longe dessa possibilidade (até nisso não foste correcto)
Quando me perguntam quais as tuas alegações finais, as pessoas ficam admiradas porque pelo que lhes deste conhecer e pelo que eu dei a conhecer de ti o teu comportamento não esteve em consonância com tudo o que havia sido anteriormente revelado. Adorava saber que justificação terás dado à tua família e amigos … não, não quero saber mais nada! Não devo, nem posso continuar cristalizada, contudo para me libertar preciso de respostas mais plausíveis do que as anteriormente fornecidas (construí algumas hipóteses, as quais não sabes que eu sei mas acho que tu sabes mas não queres saber e muito menos que eu saiba); só assim poderei dar descanso ao meu coração, conferir-lhe a possibilidade de se recompor do choque de que foi alvo para voltar novamente a florear.
Resta-me construir uma representação de ti, o ideal seria procurar um consenso entre o fantástico e o péssimo mas torna-se difícil tal exercício porque eu quero representar-te como fantástico só que não o vou fazer, não posso negar nem esquecer o mal que me fizeste. Talvez o que me preocupe/incomode mais não seja o mal provocado mas o facto de nem teres tentado atenuar o impacto (posição mais activa) ou dar-me tempo para construir um pára-choques (posição mais passiva).
Ai se eu soubesse … se eu soubesse … nem agora sei.
Estou desiludida contigo, comigo. Fui, sou burra e ingénua. Foste, estás a ser cruel e a demonstrar tudo o que eu não gosto (acredito mais no que vi anteriormente, não deveria ... não quero deixar de acreditar).
“A vida segue”, disseste-me. Eu sei que segue, sem ti … sim, ela tem seguido mas não como antes de te conhecer. As páginas que me pediste para virar estão vincadas, rasuradas, amareladas. O livro do nosso amor é constituído por papéis diversos (não sei quais a longo prazo vão perdurar).
Mas porquê?!
Acho que não havia necessidade para tanto. Não fiz nada que justifique o que fizeste (não estou a tentar ser juiz em causa própria, até porque os factos falam por si e se alguém foge é porque …).
E tudo acabou, de forma arrasadora.
ACABOU!
De retalho em retalho ...

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